ESSa - Artigos em Revistas Não Indexados à WoS/Scopus
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- Intervenção de enfermagem de reabilitação na gestão do regime de exercício da pessoa com patologia cardíacaPublication . Nogueira, Susana; Loureiro, Maria; Azevedo, Paulo; Novo, AndréA pessoa com patologia cardíaca apresenta, habitualmente, fatores de risco cardiovascular associados, sendo fundamental a integração em programas de reabilitação cardíaca, sobretudo em componente/intervenção educacional. O enfermeiro de reabilitação assume um papel capacitador, incluindo no seu core de competências a componente educacional, o controlo dos fatores de risco cardiovascular e a atividade física. Metodologia: Abordagem quantitativa, descritiva, de grupo único do tipo pré e pós intervenção, sendo a amostra por conveniência. Aplicou-se um questionário para avaliar o conhecimento sobre os fatores de risco cardiovascular e o nível de atividade física, sendo também realizada a mensuração do número de passos por semana e a avaliação da capacidade funcional no pré e pós intervenção. Resultados: Foram incluídos 15 participantes, maioritariamente do sexo masculino e com risco cardiovascular muito elevado, com média de idades de 77 anos. Após a intervenção educacional, foram aplicados questionários observando-se um aumento médio de 5 “respostas certas” e um incremento dos níveis de atividade física. Observou-se também ganhos médios de 62 metros na prova de marcha de 6 minutos e um aumento médio de 1217 passos por semana, no pós intervenção. Discussão: A intervenção educacional permitiu a melhoria do conhecimento, da capacidade funcional e a modificação comportamental. O enfermeiro especialista em enfermagem de reabilitação apresenta competências que lhe permite vantagens nesta intervenção podendo incidir em todas as áreas, em especial destaque na componente da atividade física. Conclusão: A implementação de programas educacionais em pessoas com patologia cardíaca, parece ter ganhos a nível de conhecimento e interferir de forma positiva na capacidade funcional e na gestão do regime de exercício.
- A intervenção de enfermagem de reabilitação na pessoa submetida a implantação de dispositivos cardíacosPublication . Leite, Catarina Vanessa Marques; Mendes, Eugénia; Novo, André; Preto, Leonel; Loureiro, MariaA implantação de dispositivos cardíacos permite o aumento da sobrevida na pessoa com doença cardíaca, mas interfere na capacidade de autocuidado, muitas vezes pela falta de conhecimentos sobre as necessidades de adaptação. Os programas de reabilitação cardíaca têm como uma das suas componentes core a educação para a saúde. Neste sentido, torna-se fundamental um programa de reabilitação, cuja componente educacional se foque na melhoria da capacidade funcional com promoção da independência no autocuidado. Surgiu, assim, a necessidade de avaliar a eficácia de um programa educacional na obtenção de ganhos em conhecimento resultantes de responsabilidade da enfermagem de reabilitação em utentes submetidos a implantação de dispositivos cardíacos. Metodologia: Estudo exploratório que compara os conhecimentos sobre a adequada gestão terapêutica da população submetida a implantação de dispositivos cardíacos, antes e após. Resultados: Foram incluídos 18 utentes, maioritariamente do sexo masculino (61%) e que apresentavam uma média de idade 73,17±9,02; 61% em regime de ambulatório e os demais em internamento (39%). Após o programa educacional houve um ganho de 30% do nível de conhecimento das pessoas. Discussão: Uma intervenção de enfermagem de reabilitação na componente educacional, estruturada e individualizada, deveria ser parte do cuidado das pessoas com necessidade de implantação destes dispositivos, com ganho em conhecimento e com aparente melhoria da capacidade de autocuidado terapêutico. Contudo, os regimes de intervenção ambulatória encetam desafios importantes para a resposta dos enfermeiros especialistas em enfermagem de reabilitação, pelo diminuto contacto presencial e continuidade de cuidados, abrindo a possibilidade para a implementação de uma metodologia de cuidados de telessaúde. A reabilitação é crucial para a recuperação das pessoas com dispositivos cardíacos, dado que conduz a ganhos de conhecimento com possibilidade de impacto na capacidade de autocuidado, devendo ser disseminada noutros contextos.
- Envelhecer com saúde: uma scoping review sobre anos com vidaPublication . Galvão, Ana Maria; Ala, Sílvia Maria Fernandes; Barbosa, MarianaO aumento da longevidade tem sido frequentemente interpretado como sinónimo de progresso em saúde, embora a evidência científica mostre de forma consistente que viver mais anos não significa, necessariamente, viver esses anos com saúde, funcionalidade ou bem-estar. Este artigo apresenta uma scoping review com o objetivo de analisar criticamente o conceito de “anos com vida”, distinguindo-o explicitamente da longevidade cronológica e examinando como o envelhecer com saúde é conceptualizado, medido e promovido na literatura científica recente. A revisão foi conduzida de acordo com o enquadramento metodológico de Arksey e O’Malley e reportada segundo as diretrizes PRISMA-ScR, com base no acrónimo PCC, incluindo pessoas com 50 anos ou mais e estudos desenvolvidos em contextos de saúde pública, clínica e comunitária. Foram realizadas pesquisas sistemáticas em cinco bases de dados internacionais, resultando na inclusão de 16 estudos publicados na última década. Os resultados evidenciam uma dissociação persistente entre longevidade e envelhecimento com saúde, demonstrando que o aumento da esperança de vida tem sido frequentemente acompanhado por mais anos vividos com incapacidade e limitação funcional. A literatura analisada destaca a centralidade da capacidade intrínseca, da funcionalidade do ritmo de envelhecimento como determinantes dos “anos com vida”, bem como o papel dos fatores modificáveis ao longo do curso de vida. As evidências indicam ainda que, apesar do conhecimento consolidado sobre os processos biológicos e funcionais do envelhecimento, persiste um défice de intervenções individuais, comunitárias e políticas orientadas para a promoção efetiva dos “anos com vida”, reforçando a necessidade de reorientar estratégias de envelhecimento saudável para além da longevidade.
- Do ageing in place ao stuck in place: a invisibilidade do confinamento involuntário no distrito de Bragança (2015-2025)Publication . Ala, Sílvia Maria Fernandes; Galvão, Ana MariaResumo O envelhecimento populacional em Portugal, com incidência crítica no Distrito de Bragança, constitui um desafio complexo, exacerbado pela baixa densidade e ruralidade que potenciam o isolamento social. Este fenómeno impacta severamente a qualidade de vida dos idosos, estando associado ao aumento da morbilidade e mortalidade. O presente estudo teve como objetivo caracterizar a demografia e o isolamento social na região, analisando dados do Instituto Nacional de Estatística [INE] e da Operação Censos Sénior da Guarda Nacional Republicana [GNR]. Este estudo constitui a primeira análise a nível distrital em Portugal a integrar dados demográficos do INE com registos operacionais da GNR num horizonte temporal de dez anos (2015-2025). A abordagem permite identificar a transição teórica do paradigma de Ageing in Place para o de Stuck in Place, revelando a magnitude de um 'Iceberg Social' previamente invisível nas estatísticas tradicionais. Adotou-se uma abordagem quantitativa, de natureza descritiva e exploratória. Os resultados revelam uma alteração significativa nas tendências: após a estabilidade verificada entre 2021 e 2024, registou-se em 2025 um incremento de 24% nos idosos sinalizados em isolamento (n=4.191). Esta evolução coloca o distrito na 3.ª posição nacional de vulnerabilidade e sugere, mais do que um súbito agravamento demográfico, uma maior visibilidade de situações de confinamento involuntário (Stuck in Place) preexistente. Conclui-se que a mitigação deste problema exige uma abordagem integrada e contínua, focada na prevenção e na promoção da autonomia, ultrapassando a lógica de monitorização de segurança para a construção de comunidades inclusivas e resilientes, em linha com as recomendações internacionais para um envelhecimento saudável. Bragança; Envelhecimento; Fragilidade social; isolamento social; Stuck in place
- “TRC”- técnica de relaxamento ao cuidador: programa de promoção da saúde mental ao cuidador informalPublication . Neves, Carla Alexandra Ferreira; Martins, Diana Sofia Teixeira de Sousa; Teixeira, Vera Lúcia Miranda; Clemente, José Manuel Fernandes; Martins, Laurinda de Jesus Carlos; Nascimento, Nuno André Peixoto Botelho do; Baptista, GoreteO cuidador informal desempenha um papel essencial na prestação de cuidados continuados, sendo frequentemente exposto a elevados níveis de sobrecarga física e emocional. Este estudo teve como objetivo avaliar o impacto de um programa de Técnica de Relaxamento ao Cuidador (TRC) na promoção da saúde mental de cuidadores informais acompanhados por uma Unidade de Cuidados na Comunidade. Trata-se de um estudo de intervenção prospetivo, pré-experimental e não controlado, com uma amostra de sete cuidadores informais (n=7) com sobrecarga elevada avaliada pela Escala de Zarit. A intervenção incluiu oito sessões estruturadas, integrando respiração diafragmática, relaxamento muscular progressivo e visualização guiada. Os resultados evidenciaram uma redução significativa na sobrecarga (Zarit: 75/66), bem como diminuição da pressão arterial e frequência cardíaca. Os participantes reportaram melhorias no sono, alívio emocional e maior valorização do autocuidado. Apesar das limitações, os resultados sugerem que a TRC constitui uma intervenção viável, acessível e eficaz em contexto comunitário, com potencial de integração na prática de enfermagem em cuidados de saúde primários.
- Competências humanísticas de comunicação na saúde: o impacto da escuta ativa, da empatia e da literacia relacionalPublication . Baptista, Gorete; Galvão, Ana Maria; Ala, Sílvia Maria FernandesEm contextos clínicos, a comunicação eficaz entre profissionais de saúde, utentes e famílias é determinante para a qualidade do cuidado prestado. Este estudo investigou o papel das competências humanísticas de comunicação, nomeadamente a escuta ativa, a empatia e a literacia relacional, na construção de relações terapêuticas mais eficazes e humanizadas. Estas competências são tratadas como uma dimensão transversal à prática clínica e educativa, essenciais para uma abordagem integradora dos cuidados em saúde. A metodologia seguiu um modelo qualitativo exploratório, baseado em entrevistas semiestruturadas a 12 profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e psicólogos) com atuação em unidades hospitalares e centros de saúde. A análise de conteúdo, segundo Bardin (2016), revelou que a escuta ativa, a empatia e a literacia relacional são percecionadas como elementos centrais para o sucesso da comunicação clínica, facilitando o diagnóstico, a adesão ao tratamento e a confiança do utente. No entanto, os dados também evidenciam desafios recorrentes, como a pressão do tempo, a carga emocional dos profissionais e a ausência de formação específica em competências comunicacionais. A discussão aponta para a urgência de incluir estas competências nos planos curriculares e na formação contínua em saúde, não como componentes complementares, mas como fundamentos essenciais da prática clínica e pedagógica. Conclui-se que reforçar a dimensão humanística da comunicação é crucial para humanizar os cuidados, fortalecer os processos educativos e promover o bem-estar profissional.
- Prestação de cuidados formais (adaptados) à pessoa com demência, na estrutura residencial para pessoas idosas (ERPI)Publication . Fernandes, Hélder; Lourenço, Maria de Fátima Santos; Fernández, Fernández RobertoO objetivo do estudo consistiu em conhecer os cuidados formais que são prestados à pessoa com demência nas Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), e reconhecer a importância da adequação dos mesmos à individualidade de cada pessoa. O estudo é descritivo-transversal, com recurso a uma metodologia qualitativa e quantitativa. Na recolha de dados, efetivada em duas ERPI´s do concelho de Bragança, foi aplicado aos técnicos qualificados, um questionário sociodemográfico e uma entrevista semiestruturada. Participaram no estudo 10 profissionais com formação académica na área da saúde, ciências sociais, gerontologia e animação sociocultural. A natureza das repercussões associadas ao cuidar de uma pessoa com dependência física/mental emerge, de contextos dinâmicos que interagem entre si, onde se verifica um processo de influência mútua. No estudo reconheceu-se que o cuidador pode influenciar a evolução da demência, particularmente na frequência e gravidade dos problemas comportamentais da pessoa. Verificou-se que os cuidados prestados na ERPI, nem sempre convergem com as necessidades individuais da pessoa com demência. Os profissionais enfatizam a importância do reforço da capacidade de cuidado, que requer profissionais competentes e especializados, pois a relação que estabelecem com as pessoas com a demência, está associada positivamente à qualidade de cuidados que poderão prestar. Verifica-se uma insuficiência de recursos humanos especializados, face às necessidades de cuidados individualizados.
- Eficiência económica e qualidade de vida em cuidados residenciais para pessoas com alzheimer: uma análise comparativa entre Portugal e EspanhaPublication . Sanchez, Kleiver; Sanchéz-Herrera, SusanaO envelhecimento demográfico tem conduzido a um aumento significativo do número de pessoas com doença de Alzheimer a necessitar de cuidados de longa duração em estruturas residenciais, colocando desafios relevantes à sustentabilidade económica das instituições e à promoção da qualidade de vida dos residentes. Neste contexto, torna-se fundamental compreender de que forma a eficiência económica se relaciona com o bem-estar das pessoas com demência em contextos institucionais. Analisar a relação entre a eficiência económica das estruturas residenciais e a qualidade de vida das pessoas com doença de Alzheimer, numa perspetiva comparativa entre Portugal e Espanha. Estudo quantitativo, transversal, descritivo e correlacional, realizado em 40 estruturas residenciais para pessoas idosas, envolvendo uma amostra de 757 residentes diagnosticados com doença de Alzheimer. A eficiência económica foi avaliada através do método Data Envelopment Analysis (DEA), considerando inputs financeiros e recursos humanos, enquanto a qualidade de vida foi medida com a escala Quality of Life in Alzheimer’s Disease (QoL-AD). As estruturas residenciais portuguesas apresentaram, em média, níveis superiores de eficiência técnica quando comparadas com as espanholas, enquanto as estruturas espanholas evidenciaram melhores resultados em vários domínios da qualidade de vida, nomeadamente no bem-estar emocional e nas relações interpessoais. A análise revelou uma associação negativa moderada entre níveis elevados de eficiência económica e determinados indicadores da qualidade de vida. Os resultados sugerem que a eficiência económica não se traduz automaticamente em melhores níveis de qualidade de vida para pessoas com Alzheimer, evidenciando a necessidade de modelos de gestão que conciliem sustentabilidade financeira com abordagens centradas na pessoa. O estudo reforça a importância de políticas públicas e estratégias institucionais que promovam simultaneamente eficiência e bem-estar em cuidados residenciais para pessoas com demência.
- Estratégias inovadoras de estimulação cognitiva promotoras da longevidade ativaPublication . Santos, Bruno; Galvão, Ana Maria; Ala, Sílvia Maria FernandesO envelhecimento populacional constitui um dos principais desafios das sociedades contemporâneas, exigindo respostas integradas nos domínios científico, social, educativo e político. Neste contexto, as estratégias inovadoras de estimulação cognitiva têm assumido um papel central na promoção da longevidade ativa, contribuindo para a manutenção das funções cognitivas, da autonomia, da participação social e da qualidade de vida ao longo do processo de envelhecimento. O presente artigo tem como objetivo realizar uma revisão bibliográfica sistematizada e interdisciplinar sobre estratégias de estimulação cognitiva promotoras da longevidade ativa, com base na análise crítica de estudos empíricos e contributos teóricos provenientes das áreas da saúde, sociologia, psicologia e educação. A metodologia consistiu numa revisão sistematizada da literatura científica publicada entre 2000 e 2024, recorrendo às bases de dados Scopus, Web of Science, PubMed e SciELO. A pesquisa inicial resultou em 312 publicações; após leitura de títulos e resumos, 94 artigos foram selecionados para leitura integral e 48 cumpriram os critérios de inclusão. A seleção dos estudos e a extração dos dados foram realizadas de forma independente por dois revisores, sendo as divergências resolvidas por consenso. Os resultados evidenciam benefícios consistentes das intervenções de estimulação cognitiva ao nível do bem-estar psicológico, da autoeficácia, da reserva cognitiva, da participação social e da qualidade de vida. Foram igualmente identificadas divergências na operacionalização das intervenções e lacunas relevantes, nomeadamente a escassez de estudos longitudinais e a limitada integração de fatores socioculturais. Conclui-se que a estimulação cognitiva constitui um recurso estratégico na promoção de trajetórias de envelhecimento mais ativas, inclusivas e sustentáveis
- Envelhecer não tem idadePublication . Galvão, Ana Maria; Ala, Sílvia Maria Fernandes; Santos, BrunoResumo O envelhecimento populacional constitui uma das transformações demográficas mais relevantes das sociedades contemporâneas, exigindo novas abordagens conceptuais que ultrapassem visões reducionistas centradas exclusivamente na idade cronológica ou no declínio associado à velhice. O presente artigo tem como objetivo refletir sobre o envelhecimento enquanto processo contínuo e multidimensional ao longo do ciclo de vida, integrando contributos da gerontologia, das ciências sociais e da saúde pública. A partir da perspetiva do life-course, discute-se de que forma fatores biológicos, psicológicos, sociais e culturais interagem ao longo da vida, influenciando trajetórias individuais de saúde, bem-estar e qualidade de vida na idade avançada. São analisados conceitos como envelhecimento ativo, envelhecimento bem-sucedido e envelhecimento gratificante, destacando o papel das experiências acumuladas, das condições socioeconómicas e das redes de suporte social na construção de trajetórias de envelhecimento diferenciadas. O artigo evidencia ainda a importância dos determinantes sociais da saúde e da acumulação de vantagens e desvantagens ao longo da vida, que contribuem para desigualdades significativas nas condições de envelhecimento. Por fim, discute-se a relevância da integração da perspetiva do ciclo de vida nas políticas públicas e na Agenda 2030 das Nações Unidas, sublinhando a necessidade de estratégias intersetoriais que promovam saúde, participação social e equidade ao longo de todo o percurso de vida.
