Teses de Mestrado ESSa
URI permanente desta comunidade:
Navegar
Percorrer Teses de Mestrado ESSa por Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) "08:Trabalho Digno e Crescimento Económico"
A mostrar 1 - 10 de 10
Resultados por página
Opções de ordenação
- Conhecimento dos Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Reabilitação sobre a utilização da Escala de Borg e da Frequência Cardíaca na monitorização e progressão da intensidade do exercício físico: estudo transversalPublication . Franco, Filipe Vieira; Novo, André; Delgado, Bruno MiguelA prescrição, monitorização e progressão da intensidade do exercício físico (EF) constituem componentes fundamentais da intervenção dos Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Reabilitação (EEER). A Escala de Borg e a frequência cardíaca (FC) são instrumentos recomendados para monitorizar a intensidade do EF, porém a sua utilização adequada depende do conhecimento dos profissionais. Objetivo: Avaliar o conhecimento dos EEER sobre a utilização da Escala de Borg e da FC como parâmetros de monitorização e progressão da intensidade do EF, identificando o nível de conhecimento relativamente à Escala de Borg, à FC e aos limites de segurança associados à sua utilização, bem como analisar a associação entre o conhecimento demonstrado e as características académicas e profissionais dos participantes e comparar o conhecimento percebido com o conhecimento demonstrado. Métodos: Estudo quantitativo, observacional, descritivo-correlacional e transversal. Participaram 55 EEER, selecionados por amostragem não probabilística por conveniência. A recolha de dados decorreu entre fevereiro e março de 2026, através de um questionário de autopreenchimento que incluiu caracterização sociodemográfica e profissional, avaliação do conhecimento percebido e do conhecimento demonstrado. Os dados foram analisados no IBM® SPSS® Statistics (versão 28), recorrendo a estatística descritiva e inferencial, utilizando os testes de Spearman, Mann-Whitney e Kruskal-Wallis, com nível de significância de 5%. Resultados: Os participantes apresentaram um nível globalmente satisfatório de conhecimento sobre a utilização da Escala de Borg e da FC na monitorização da intensidade do EF. Identificaram-se, contudo, algumas lacunas em conteúdos relacionados com o cálculo da FC de reserva e a definição de zonas de intensidade do exercício. Observou-se uma correlação positiva moderada entre o conhecimento percebido e o conhecimento demonstrado, bem como correlações positivas entre o conhecimento demonstrado e a frequência de utilização da Escala de Borg e da FC. O grau académico apresentou associação estatisticamente significativa com o conhecimento demonstrado, não se verificando associações significativas com a idade, experiência profissional ou formação específica. Conclusão: Os EEER demonstraram um nível satisfatório de conhecimento relativamente à utilização da Escala de Borg e da FC, embora persistam lacunas em áreas específicas. Os resultados reforçam a importância da utilização sistemática destes instrumentos e da atualização científica dos profissionais, contribuindo para uma monitorização da intensidade do EF mais segura, individualizada e baseada na evidência.
- Conhecimentos em intervenções de enfermagem forense - estudo numa unidade local de saúde do norte de PortugalPublication . Pereira, Andreia Cristiana Teixeira; Veiga-Branco, AugustaA Enfermagem Forense constitui uma área emergente que articula a prática clínica com a preservação de evidências, desempenhando um papel central na avaliação, tratamento e acompanhamento de vítimas de violência e, em alguns contextos, de agressores de crimes. Os enfermeiros, pela sua posição privilegiada no contacto direto com a pessoa em situação crítica, assumem funções estratégicas na identificação, recolha, preservação e documentação de vestígios forenses, sendo fundamental o domínio de conhecimentos específicos nesta área para garantir um cuidado integral e baseado em evidência. Objetivos: Analisar o efeito moderador de uma formação específica, relativamente às diferenças no nível de conhecimento em Enfermagem Forense, antes e após a respetiva frequência, segundo a perceção da amostra. Métodos: Estudo exploratório, de análise quantitativa relacional aos dados obtidos a partir da aplicação do instrumento de recolha de dados: Questionário de Conhecimentos sobre Práticas de Enfermagem Forense (Libório & Cunha, 2012), à amostra de 49 enfermeiros, num Serviço de Urgência de uma Unidade Local de Saúde do Norte de Portugal. A seleção da amostra emergiu de critérios de inclusão e exclusão previamente definidos, maioritariamente do género feminino (91,8%), estado civil casado (30,6%), e especialista (28,6% %) em Enfermagem Médico-Cirúrgica, e 4,1% com Mestrado. Resultados: Antes da formação, o nível médio global de conhecimentos situou-se em 59,7%, aumentando para 82,3% após a ação formativa. A aplicação prática das intervenções de Enfermagem Forense passou de 41,8% para 73,4%, com maior evolução nas subescalas de Preservação de Vestígios (de 42,1% para 75,9%) e Comunicação e Documentação (de 38,7% para 70,2%). A correlação entre conhecimentos e aplicação foi positiva e significativa (r=0,62; p<0,01). Os principais constrangimentos identificados foram a escassez de formação (82,5%), a ausência de protocolos institucionais (77,1%) e a sobrecarga de trabalho em serviço de urgência (69,8%). Conclusão: O estudo evidencia fragilidades iniciais nos conhecimentos e na aplicação da Enfermagem Forense, mas demonstra que a formação estruturada constitui um instrumento eficaz para a sua melhoria significativa. Torna-se, assim, pertinente investir em estratégias educativas contínuas, no desenvolvimento de protocolos claros e no reforço do suporte institucional, assegurando que os enfermeiros possam exercer plenamente o seu papel na interface entre saúde e justiça.
- Cuidadores Informais de Pessoas com Demência: Perceção da Funcionalidade Familiar, Coesão, Adaptabilidade e SobrecargaPublication . Henriques, Sara Andreia Pereira Rocha; Brás, Manuel AlbertoO aumento da prevalência das demências constitui atualmente um dos principais desafios de saúde pública à escala global, com repercussões significativas nos sistemas de saúde, nos serviços de apoio social e, particularmente, nas famílias responsáveis pela prestação de cuidados. O exercício do papel de cuidador informal de uma pessoa com Perturbação Neurocognitiva Major associa-se frequentemente a exigências físicas, emocionais, sociais e organizacionais elevadas, suscetíveis de comprometer a funcionalidade familiar, a coesão, a adaptabilidade e o equilíbrio biopsicossocial do cuidador. Neste contexto, torna-se fundamental compreender de que forma as variáveis sociodemográficas, profissionais e clínicas influenciam a dinâmica familiar e a sobrecarga associada ao processo de cuidar. O presente estudo teve como objetivo analisar a relação entre as variáveis sociodemográficas, profissionais e clínicas e a perceção da funcionalidade familiar, da coesão, da adaptabilidade e da sobrecarga dos cuidadores familiares de pessoas com demência acompanhadas pelo Serviço de Apoio Domiciliário às Demências de Mogadouro. Metodologicamente, trata-se de um estudo quantitativo, não experimental, descritivo-correlacional e transversal. Recorreu-se a uma amostragem não probabilística por conveniência. A recolha de dados decorreu num único momento temporal, em contexto domiciliário, mediante aplicação de um formulário de caracterização sociodemográfica, profissional e clínica, complementado pelas escalas APGAR Familiar, Family Adaptability and Cohesion Evaluation Scales II (FACES II) e Escala de Sobrecarga do Cuidador de Zarit. Na análise inferencial utilizaram-se testes estatísticos adequados à natureza das variáveis em estudo, assumindo-se um nível de significância estatística de 5% (p<0,05), com recurso ao software IBM SPSS Statistics®, versão 27.0. A amostra integrou 121 cuidadores informais, predominantemente do sexo feminino (66,9%), maioritariamente com idades compreendidas entre os 59 e os 78 anos e casados ou em união de facto (79,2%). Observou-se uma baixa escolaridade numa proporção relevante da amostra, verificando-se que 32,2% dos participantes frequentaram apenas o 1.º ciclo do ensino básico e 12,4% não possuíam habilitações literárias. A maioria dos cuidadores era filho(a) da pessoa com demência (46,3%), seguida de cônjuges ou irmãos (36,4%), sendo que 71,1% referiu assumir os cuidados sem partilha com outros elementos da rede familiar ou social. A doença de Alzheimer constituiu a tipologia de demência mais prevalente (42,1%), seguida da demência mista (37,2%). Relativamente à funcionalidade familiar, 43,0% dos cuidadores percecionaram boa funcionalidade familiar, embora 36,4% evidenciassem disfunção familiar moderada. No domínio da coesão familiar predominou a tipologia separada (57,0%) e, relativamente à adaptabilidade, verificou-se predominância das famílias flexíveis (49,6%). A maioria dos cuidadores apresentou níveis elevados de sobrecarga, classificados como sobrecarga intensa (81,8%). Verificaram-se associações estatisticamente significativas entre funcionalidade familiar e coesão, adaptabilidade, tipologia familiar, grau de parentesco e estádio de declínio cognitivo da pessoa com demência (p<0,05). Os resultados evidenciam que os cuidadores informais de pessoas com demência, predominantemente mulheres, enfrentam níveis substanciais de sobrecarga física, emocional e social, frequentemente agravados pela reduzida partilha dos cuidados e pela progressiva dependência funcional da pessoa cuidada. O agravamento do declínio cognitivo revelou-se um fator determinante na intensificação da sobrecarga e na reorganização da dinâmica familiar. Estes achados reforçam a necessidade de desenvolvimento de intervenções de enfermagem centradas na família, sustentadas numa abordagem sistémica e integrada, orientadas para a capacitação do cuidador informal, o fortalecimento da funcionalidade familiar, a promoção da adaptação ao papel de cuidador e a melhoria da qualidade de vida de todos os intervenientes no processo de cuidado.
- Desenvolvimento e Validação de um Instrumento de Recolha de Dados sobre a Manipulação de Citotóxicos em Unidades HospitalaresPublication . Freitas, Cristiana Alexandra Rendeiro; Pereira, Olívia R.; Moreira, Fernando Xavier FerreiraA manipulação de fármacos citotóxicos em farmácia hospitalar representa um risco ocupacional relevante, sobretudo para os Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica (TSDT) da área da farmácia. Apesar das recomendações internacionais, em Portugal não existe um instrumento validado que permita avaliar práticas, condições de trabalho e medidas de proteção associadas a esta atividade. Objetivo: Desenvolver e validar um Instrumento de Recolha de Dados (IRD) capaz de caracterizar, de forma sistemática, a realidade nacional relativamente à manipulação de citotóxicos e a segurança ocupacional dos profissionais envolvidos. Metodologia: O estudo decorreu em cinco etapas: (I) conceção do questionário com base em revisão bibliográfica e contributo de peritos; (II) análise de conteúdo e clareza das questões; (III) implementação digital; (IV) pré-teste com 31 profissionais; e (V) análise preliminar da fiabilidade através do alfa de Cronbach. Discussão: O IRD revelou consistência interna aceitável (α=0,648) para um instrumento em fase inicial, permitindo identificar lacunas críticas nas práticas hospitalares, como insuficiência de formação, variabilidade no uso de EPI, ausência de protocolos uniformizados e monitorização ambiental irregular. Apesar de algumas limitações, nomeadamente o tempo de preenchimento e a extensão do questionário, o IRD demonstra potencial para uso prático, investigação futura e fundamentação de políticas de segurança. Conclusão: Conclui-se que o IRD constitui uma ferramenta inovadora e pertinente, capaz de apoiar a avaliação da exposição ocupacional e das práticas de manipulação de citotóxicos em Portugal. Recomenda-se a sua aplicação em amostras maiores, complementada por análises fatoriais, de modo a consolidar a sua validade e fiabilidade. O instrumento poderá assumir um papel central na uniformização de práticas, no reforço da formação dos profissionais e no suporte à criação de políticas nacionais de proteção ocupacional.
- Dificuldades Percecionadas pelos Enfermeiros na Triagem de Manchester num Serviço de Urgência: Scoping ReviewPublication . Osório, Maria Raquel Freixo Cardoso; Martins, MatildeO presente relatório inseriu-se no âmbito da Unidade Curricular Opção Estágio I e II do Mestrado em Enfermagem Médico-Cirúrgica na Área de Enfermagem à Pessoa em Situação Crítica, da Escola Superior de Saúde de Bragança. O objetivo foi realizar uma reflexão crítica sobre o desempenho e o desenvolvimento de competências especializadas em enfermagem médico-cirúrgica na área de enfermagem à pessoa em situação crítica, adquiridas ao longo dos estágios realizados, com foco nos principais contributos para a prática clínica e na melhoria da qualidade dos cuidados prestados. O relatório foi dividido em duas partes. Na primeira parte, foi apresentada uma caracterização detalhada dos três campos de estágio: emergência pré-hospitalar, Serviço de Urgência Polivalente e Unidade de Cuidados Intensivos Polivalente. Foram descritas a estrutura física de cada local, os recursos humanos disponíveis e as atividades desenvolvidas. A metodologia adotada foi descritiva e crítico-reflexiva, de modo a relatar as competências inerentes à categoria de enfermeiro especialista, desenvolvidas nos contextos de prática clínica. As experiências vivenciadas durante os estágios revelaram-se cruciais para a aquisição de conhecimentos, competências e habilidades na Área da Pessoa em Situação Crítica, contribuindo para a melhoria da qualidade dos cuidados prestados aos utentes. Na segunda parte, no âmbito da prática especializada baseada na evidência, foi realizada uma scoping review sobre as dificuldades percecionadas pelos enfermeiros na realização da Triagem de Manchester num Serviço de Urgência. A scoping review permitiu identificar as principais dificuldades enfrentadas pelos enfermeiros nesse contexto, sendo estas fundamentais para orientar estratégias que visem colmatá-las, promovendo melhorias na qualidade dos cuidados prestados e na eficiência do sistema.
- Efeitos do treino dos músculos inspiratórios na reabilitação de pessoas com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica – Uma Revisão de EscopoPublication . Fonseca, Raissa Inocêncio; Preto, Leonel; Casado, Sónia Alexandra ClaroA doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) caracteriza-se por limitação persistente do fluxo aéreo, dispneia progressiva e redução da capacidade funcional, condicionando impacto significativo na qualidade de vida. A fraqueza dos músculos inspiratórios constitui um fator relevante na intolerância ao esforço e no agravamento da sintomatologia, e o treino dos músculos inspiratórios (TMI) tem sido proposto como intervenção complementar na reabilitação pulmonar. Objetivo: Mapear e analisar a evidência científica existente sobre os efeitos do treino dos músculos inspiratórios na reabilitação de pessoas com DPOC. Métodos: Realizou-se uma revisão de escopo, com pesquisa estruturada em bases de dados científicas, que incluiu estudos sobre a eficácia do TMI em doentes com DPOC. Foram considerados estudos que avaliassem resultados como força muscular inspiratória, dispneia, capacidade funcional, tolerância ao exercício e qualidade de vida relacionada com a saúde. Resultados: Os estudos analisados demonstram resultados consistentes na força dos músculos inspiratórios, particularmente em indivíduos com fraqueza inspiratória documentada, constatando-se ainda a melhoria da dispneia, embora com magnitude variável. Os efeitos na capacidade funcional e na tolerância ao exercício mostraram-se mais evidentes em subgrupos específicos ou quando o TMI foi aplicado de forma isolada. A qualidade de vida apresentou melhorias, dependentes do contexto de aplicação, e, quando integrado em programas de reabilitação pulmonar, o TMI revelou utilidade como intervenção adjuvante, ainda que os resultados adicionais nem sempre sejam uniformes. A individualização da prescrição e a progressão adequada da carga emergem como fatores determinantes para a eficácia. Conclusão: O TMI constitui uma intervenção segura e potencialmente benéfica na reabilitação de pessoas com DPOC, sobretudo na presença de fraqueza inspiratória. A sua implementação deve ser individualizada, integrada em programas estruturados de reabilitação pulmonar e sustentada na prática baseada na evidência, assumindo a enfermagem de reabilitação um papel central na sua operacionalização.
- Fatores que influenciam a eficácia da terapêutica inalatória na Ventilação Mecânica Invasiva: uma Scoping ReviewPublication . Sarmento, Marta Cristina Trindade; Preto, LeonelA terapêutica inalatória em doentes sob ventilação mecânicam invasiva constitui uma intervenção frequente em unidades de cuidados intensivos, sendo relevante no tratamento de alterações respiratórias e na otimização da mecânica ventilatória. Contudo, a sua eficácia depende de múltiplos fatores, nomeadamente técnicos, ventilatórios, humanos e organizacionais, que podem interferir na deposição pulmonar do fármaco e, consequentemente, nos resultados clínicos. Objetivo: Mapear a extensão da evidência científica acerca dos fatores que influenciam a eficácia da terapêutica inalatória em doentes adultos sob Ventilação Mecânica Invasiva. Métodos: Foi realizada uma scoping review segundo as orientações do Joanna Briggs Institute e estruturada de acordo com as recomendações PRISMA-ScR. A pesquisa foi realizada nas bases de dados PubMed, Scopus e B-on, em abril e maio de 2026. A seleção dos estudos foi efetuada com base em critérios de inclusão previamente definidos, dividida em duas etapas: leitura do título e resumo e, em seguida, leitura completa dos estudos aparentemente relevantes. As informações dos estudos incluídos foram organizadas em uma matriz de mapeamento elaborada pela autora, que abrange autor, objetivo, desenho do estudo, principais fatores identificados e a contribuição para a questão da revisão. Considerando que se trata de uma Scoping Review, não foi feita uma avaliação formal da qualidade metodológica dos estudos selecionados, uma vez que o objetivo principal foi mapear a evidência existente e identificar fatores, lacunas e implicações para a prática. A revisão foi realizada por um único revisor, no âmbito de uma dissertação de mestrado, o que representa uma limitação metodológica. Resultados: Foram incluídos 15 estudos na síntese final. A evidência analisada permitiu identificar fatores associados à eficácia da terapêutica inalatória durante a ventilação mecânica invasiva, nomeadamente o tipo de dispositivo utilizado, a posição do nebulizador ou inalador no circuito ventilatório, a humidificação, os parâmetros ventilatórios, o tempo inspiratório, o fluxo inspiratório, a sincronização com a inspiração, a utilização de espaçador, as características do aerossol e a técnica de administração. Foram ainda identificados fatores humanos e organizacionais, como o conhecimento dos profissionais, a variabilidade da prática clínica, a ausência de protocolos padronizados e a necessidade de formação contínua. As principais limitações desta revisão relacionam-se com a heterogeneidade metodológica dos estudos incluídos, diversidade dos dispositivos e condições ventilatórias analisadas. Conclusão: A eficácia da terapêutica inalatória em doentes sob ventilação mecânica invasiva resulta da interação entre fatores técnicos, ventilatórios, humanos e organizacionais. A otimização da técnica, a utilização adequada dos dispositivos, a adaptação dos parâmetros ventilatórios e a implementação de protocolos baseados na evidência podem contribuir para melhorar a deposição pulmonar do fármaco, reduzir perdas terapêuticas e promover cuidados mais seguros e eficazes. Recomenda-se o desenvolvimento de investigação clínica adicional e de programas formativos dirigidos aos profissionais de saúde, em particular no contexto dos cuidados intensivos e da Enfermagem de Reabilitação.
- Peso interdialítico e capacidade funcional em pessoas com Insuficiência Renal Crónica submetidas a hemodiálise: estudo transversalPublication . Salvador, Susana Marisa Bento; Novo, André; Casado, Sónia Alexandra ClaroA insuficiência renal crónica (IRC) sob hemodiálise (HD) está associada a elevada morbimortalidade com impacto na capacidade funcional. O ganho de peso interdialítico (IDWG) é um indicador do estado volémico e valores elevados associam-se a sobrecarga hídrica e maior risco cardiovascular. A Prova de marcha de 6 minutos (6MWT) tem valor prognóstico e é amplamente utilizada para avaliar a capacidade funcional nesta população. Apesar da relevância destes indicadores a sua relação permanece pouco explorada. Objetivos: Avaliar a relação entre IDWG e a capacidade funcional, medida através da distância percorrida na 6MWT, na pessoa com IRC sob HD e analisar a influência de variáveis clínicas como idade, sexo, tempo em diálise, a causa da DRC e a força da preensão manual nessa relação, bem como, explorar a diferença no desempenho funcional de pessoas com diferentes níveis IDWG. Método: Estudo observacional e transversal com dados de 66 pessoas com IRC em programa HD numa clínica do norte de Portugal. Os dados clínicos e a distância percorrida na 6MWT foram estatisticamente analisados no SPSS Statistics v32. Resultados: A amostra apresentou idade média de 69,76±15,34 anos sendo 60,6% do sexo masculino. A distância média percorrida foi de 289,03±144,17 metros (60,24%da distância prevista). Globalmente, entre o IDWG e a capacidade funcional não se observou uma relação significativa, apenas uma tendência negativa. Contudo, após ajuste das variáveis de confusão, o IDWG apresentou uma relação significativa com a percentagem da distância percorrida (β = -0,247; p = 0,045). As pessoas com IDWG ≥ 4% percorreram, em média, menos 16,57% da distância prevista (p = 0,014) e apresentaram um risco 4 a 4,5 vezes superior de baixo desempenho funcional em alguns modelos. A força de preensão manual foi o preditor mais forte (β até 0,515; p <0,001) e 81,8% da amostra apresentou força muscular baixa. Conclusão: O IDWG não se revelou um preditor direto da capacidade funcional, mas ser um fator de risco clinicamente relevante. A capacidade funcional revelou-se multifatorial e a força de preensão manual o principal preditor. Estes achados sustentam a relevância da monitorização do estado hídrico e da capacidade funcional na prática do EEER, para a estratificação de risco e individualização das intervenções.
- Prevenção da Infeção do Local Cirúrgico: Conhecimentos dos Enfermeiros do Serviço de Medicina IntensivaPublication . Alves, Augusto Miguel Ferreira; Magalhães, Carlos PiresOs estágios profissionais são um pilar estrutural do Mestrado em Enfermagem Médico-Cirúrgica, o que permite o desenvolvimento de competências especializadas no cuidado à pessoa em situação crítica. Paralelamente, a infeção do local cirúrgico mantém-se como uma das complicações pós-operatórias mais frequentes, com impacto relevante na morbilidade, mortalidade e custos na saúde, e os enfermeiros assumem um papel fundamental na sua prevenção. Objetivos: Refletir sobre o desenvolvimento de competências adquiridas nos estágios e avaliar os conhecimentos dos enfermeiros de um Serviço de Medicina Intensiva sobre a prevenção da infeção do local cirúrgico. Métodos: O relatório foi organizado em duas partes: uma primeira, de natureza descritiva e refletiva, relativa ao percurso desenvolvido em três contextos de estágio; e uma segunda, um estudo quantitativo, descritivo-correlacional e transversal. A amostra integrou 40 enfermeiros de um Serviço de Medicina Intensiva do norte de Portugal. A recolha de dados decorreu entre fevereiro e maio de 2025, através do Questionário de Conhecimentos sobre Prevenção da Infeção do Local Cirúrgico (QCPILOC). Os dados foram analisados com recurso ao IBM SPSS Statistics, versão 30. Resultados: Os estágios contribuíram para a consolidação de competências comuns e específicas do enfermeiro especialista, nomeadamente na prestação de cuidados à pessoa em situação crítica, na gestão dos cuidados, na melhoria contínua da qualidade e na prevenção e controlo da infeção. No estudo empírico, os enfermeiros apresentaram um nível globalmente elevado de conhecimento sobre prevenção da infeção do local cirúrgico, com score médio de 109,43 pontos (DP = 5,87). As dimensões com melhores resultados foram “Classificação e procedimentos relativos à ferida cirúrgica” (89,6%) e “Medidas preventivas relativas ao pós-operatório” (88,9%), enquanto “Caso clínico 1” (38,1%), “Infeção por anaeróbios” (41,5%) e “Planeamento e limpeza de uma sala de tratamento” (57,5%) revelaram maiores fragilidades. Verificaram-se associações significativas entre idade e planeamento/limpeza da sala de tratamento, entre número de horas de formação e vigilância epidemiológica, e entre duplo emprego e fases de cicatrização. Conclusão: Os estágios revelaram-se fundamentais para o desenvolvimento de competências especializadas em Enfermagem Médico-Cirúrgica. Os enfermeiros apresentaram conhecimentos globalmente satisfatórios sobre prevenção da infeção do local cirúrgico, apesar de persistirem lacunas em áreas específicas, o que reforça a necessidade de formação contínua direcionada para a melhoria da qualidade e segurança dos cuidados.
- Reconhecimento da perda súbita de visão na triagem de ManchesterPublication . Pereira, Filipe André de Sá; Baptista, GoreteO presente relatório final de estágio profissional foi desenvolvido no âmbito do Mestrado em Enfermagem Médico-Cirúrgica na área de Enfermagem à Pessoa em Situação Crítica (MEMCPSC), ministrado pela Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Bragança, com vista à obtenção do grau de Mestre e ao reconhecimento do título profissional de Enfermeiro Especialista (EE) nesta área de diferenciação. O relatório resulta do percurso formativo realizado em três contextos clínicos distintos: uma Unidade de Medicina Hiperbárica (UMH), um Serviço de Medicina Intensiva (SMI) e Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica (SUMC), integrados numa Unidade Local de Saúde da região Norte de Portugal. A estrutura do relatório está dividida em duas partes: a primeira corresponde à análise crítica dos processos de aprendizagem e ao desenvolvimento de competências especializadas na prestação de cuidados à Pessoa Situação Crítica (PSC), no âmbito dos estágios realizados nos contextos diferentes da prática clínica, e a segunda parte, apresenta um trabalho de investigação realizado, baseado na prática especializada e orientado para a melhoria contínua da qualidade dos cuidados, com o tema “Perceção dos Enfermeiros no reconhecimento da Perda súbita de visão na Triagem de Manchester”. Objetivos: Analisar criticamente os processos de aprendizagem, a aquisição e desenvolvimento de competências especializadas no âmbito da prestação de cuidados à PSC e família; explorar as perceções dos enfermeiros sobre a importância do reconhecimento precoce dos sinais e sintomas de perda súbita de visão, no contexto da aplicação do Sistema de Triagem de Manchester. Métodos: Na primeira parte, utilizou-se uma abordagem descritiva de natureza crítico-reflexiva, centrada na análise das experiências clínicas desenvolvidas ao longo dos estágios I e II, sustentada na aquisição e desenvolvimento das competências comuns e especificas do EE. Na segunda parte, desenvolveu-se um estudo qualitativo de natureza exploratória e descritiva, desenvolvido através de focus group com enfermeiros com experiência em Sistema de Triagem de Manchester (STM). A análise dos dados foi realizada segundo a metodologia de análise de conteúdo de Bardin. Resultados: As competências comuns e especificas do EE foram adquiridas. Os resultados do estudo qualitativo evidenciaram que os enfermeiros reconhecem a perda súbita de visão como um sintoma clinicamente relevante e tempo-dependente, e atribuem particular importância ao tempo de instalação na definição da prioridade. Identificaram-se dificuldades na distinção entre perda súbita e progressiva, relacionadas com a inexistência de protocolos específicos no STM, a variabilidade da apresentação dos sintomas e fatores organizacionais. Conclusão: Os estágios contribuíram para o desenvolvimento de competências clínicas avançadas. Os enfermeiros reconhecem a perda súbita de visão como um sintoma potencialmente irreversível e dependente de uma janela temporal curta, e valorizam o tempo de instalação como critério central. Persistem dificuldades na distinção entre perda súbita e progressiva, associadas a limitações do STM, a fatores organizacionais e variações no raciocino clínico. Os resultados do estudo reforçam a necessidade de desenvolver instrumentos clínicos e estratégias formativas que permitam melhorar a capacidade de reconhecimento precoce dos sintomas visuais agudos em contexto de triagem, estratégias organizacionais que promovam maior consistência e segurança na tomada de decisão na Triagem de Manchester.
