ESSa - Resumos em Proceedings Não Indexados à WoS/Scopus
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Percorrer ESSa - Resumos em Proceedings Não Indexados à WoS/Scopus por Domínios Científicos e Tecnológicos (FOS) "Ciências Sociais::Psicologia"
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- O contributo das universidades séniores na promoção da longevidade positivaPublication . Ala, Sílvia Maria Fernandes; Galvão, Ana Maria; Santos, BrunoEm Portugal, as Universidades Seniores foram reconhecidas oficialmente em 2016, por Resolução do Conselho de Ministros, como resposta social dirigida a pessoas com idade igual ou superior a 50 anos. Estas instituições integram o paradigma do envelhecimento ativo e da educação ao longo da vida, conceitos estruturantes promovidos pela Organização Mundial da Saúde e pela Comissão Europeia, que salientam a importância da participação, da saúde e da segurança como pilares de uma longevidade com qualidade. A literatura seminal introduziu a perspetiva do desenvolvimento ao longo do ciclo vital, defendendo que o envelhecimento é um processo de contínua adaptação, enquanto outros autores propõem o modelo de envelhecimento ativo e bem-sucedido, destacando o papel da aprendizagem e do controlo pessoal no bem-estar do idoso. Existe consenso na relevância das Universidades Seniores como espaços de inclusão social, cidadania e participação comunitária, enfatizando que o envelhecimento bem-sucedido combina baixo risco de doença, elevado funcionamento físico e cognitivo e envolvimento ativo com a vida. Objetivo: descrever o contributo das Universidades Seniores na promoção da longevidade positiva. Método: esta revisão sistemática seguiu as diretrizes PRISMA 2020. A pergunta de investigação foi: “Qual o impacto das Universidades Seniores na promoção da saúde mental, bem-estar e longevidade ativa em adultos com mais de 60 anos?”. A pesquisa decorreu entre março e maio de 2025 nas bases de dados Web of Science, SciELO, Google Scholar e RCAAP, utilizando descritores combinados como universidades seniores, terceira idade, longevidade ativa, educação não formal, envelhecimento ativo, bem-estar e saúde mental. Critérios de inclusão: publicações entre 2014 e 2024, em português, inglês ou espanhol, com amostras de adultos ≥60 anos, estudos empíricos (qualitativos ou quantitativos) ou revisões com foco direto em Universidades Seniores ou programas equivalentes. Critérios de exclusão: teses, artigos sem acesso integral, estudos fora do contexto educativo e trabalhos teóricos sem dados empíricos. Resultados: foram identificados 87 registos; após seleção, cinco estudos cumpriram todos os critérios de elegibilidade. A evidência indica que a participação ativa em programas educativos promove a plasticidade cerebral, previne o declínio cognitivo e retarda o aparecimento de demências. A aprendizagem contínua melhora a memória, a atenção e a capacidade de resolução de problemas, reforçando o sentido de propósito e autorrealização. As Universidades Seniores criam redes de apoio social que reduzem o isolamento, aumentam a autoestima e fortalecem o bem-estar subjetivo, conforme demonstrado por saúde cardiovacular, a mobilidade e o autocuidado. Conclusões: a participação nestas instituições traduz-se em mudanças positivas nos hábitos de vida, estimulando a autonomia, a sociabilidade e a saúde mental e física. As Universidades Seniores acrescentam vida aos anos, reforçando o conceito de longevidade positiva, envelhecer é continuar a desenvolver-se, com propósito, vitalidade e envolvimento social.
- Desafios da solidão e isolamento dos idososPublication . Ala, Sílvia Maria Fernandes; Galvão, Ana Maria; Silvano, MariaO envelhecimento da população constitui um marco positivo — viver mais tempo é a conquista do ciclo vital. Todavia, as mudanças na organização social, nas estruturas e dinâmicas familiares e na distribuição territorial têm intensificado fenómenos como a solidão e o isolamento social na população idosa, resultando em sofrimento significativo e comprometendo a sua qualidade de vida e bem-estar. Objetivo: Pretende-se descrever e analisar o fenómeno da solidão e do isolamento da população idosa portuguesa, identificando fatores de risco e projetando intervenções na comunidade que promovam a longevidade positiva. Método: Foi adotada uma abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, com recurso à análise bibliográfica e documental. A investigação baseou-se na consulta de literatura científica relevante e em fontes estatísticas oficiais, nomeadamente dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), Eurostat e documentos da União Europeia, com o objetivo de caracterizar o fenómeno da solidão e do isolamento na população idosa em Portugal. Adicionalmente, foram analisados programas e políticas públicas direcionadas ao envelhecimento, com destaque para o projeto eGuard, da Guarda Nacional Republicana, como exemplo de intervenção comunitária em contexto de vulnerabilidade social. A análise dos dados foi orientada por uma perspetiva socioecológica, permitindo compreender o impacto multidimensional do isolamento social na saúde e bem-estar dos idosos, bem como refletir sobre estratégias de intervenção centradas na promoção da longevidade positiva. Resultados: Portugal ocupa o 4.º lugar da União Europeia com maior percentagem de idosos a viver sozinhos. Os agregados unipessoais representam 24,8% do total de agregados domésticos; 50,3% correspondem a pessoas com 65 ou mais anos. Em termos geográficos, é sobretudo nas zonas rurais do interior centro e norte do país que os agregados com apenas uma pessoa são mais expressivos. Perante este cenário, iniciativas como o eGuard - um projeto de teleassistência e monitorização eletrónica - procuram mitigar o risco de isolamento, promovendo a segurança e a permanência dos idosos no seu meio ambiente. Contudo, o isolamento e a solidão percebida têm impacto negativo na saúde mental, cognitiva e física, afetando mecanismos neuronais, hormonais e afetivos, e contribuindo para o aumento da morbilidade e da mortalidade. Conclusão: Urge, numa sociedade cada vez mais envelhecida e isolada, desenvolver estratégias que maximizem a longevidade positiva. Para tal, reveste-se de extrema importância sensibilizar e projetar respostas com ambientes físicos acessíveis e socialmente estimulantes, aliados a programas de intervenção comunitária que permitam aos mais velhos usufruir plenamente e em segurança daquilo que os rodeia. O ambiente físico e a socialização são fundamentais para garantir que os idosos vivem com dignidade, participação e bem-estar.
- O impacto do ginásio do cérebro na função cognitiva e bem-estar psicológico de idosos institucionalizados: um estudo de intervenção em contexto residencialPublication . Santos, Bruno; Ala, Sílvia Maria Fernandes; Galvão, Ana MariaO envelhecimento populacional acarreta um aumento da prevalência de deterioração cognitiva e emocional, especialmente em idosos institucionalizados. A investigação recente tem demonstrado que programas de estimulação cognitiva contribuem para a preservação da função cerebral e para a melhoria do bem-estar psicológico. O Ginásio do Cérebro surge como uma intervenção estruturada e acessível, concebida para estimular a plasticidade cerebral e promover o envelhecimento ativo através de atividades diversificadas e adaptadas às capacidades individuais. Objetivos. Avaliar o impacto de um programa de Ginásio do Cérebro na função cognitiva global e no bem-estar psicológico de idosos institucionalizados, após oito semanas de intervenção. Material e Métodos. Participaram 50 idosos (idade média = 81,4 ± 7,2 anos), residentes num lar português e sem diagnóstico de demência grave. O estudo seguiu um desenho quase-experimental com avaliação pré e pós-intervenção. O programa consistiu em sessões semanais de 45 minutos, durante oito semanas, centradas na estimulação de múltiplas funções cognitivas - memória, atenção, linguagem, raciocínio lógico e orientação temporalespacial, complementadas com dinâmicas de grupo para reforçar a motivação e a interação social. A avaliação foi efetuada em dois momentos (pré e pós-intervenção) através do MiniMental State Examination (MMSE) e da Escala de Depressão Geriátrica de Yesavage (GDS15). Para a análise estatística, recorreu-se ao teste t de Student para amostras emparelhadas, considerando-se um nível de significância de p < 0,05. Resultados. Os participantes apresentaram melhoria significativa nas pontuações médias do MMSE (p < 0,05), indicando ganhos cognitivos, e diminuição das pontuações médias da GDS (p < 0,05), refletindo redução dos sintomas depressivos e aumento do bem-estar. Os relatos qualitativos evidenciaram ainda maior envolvimento social, motivação e prazer na realização das atividades. Questões Éticas. O estudo foi conduzido de acordo com os princípios éticos da Declaração de Helsínquia, tendo sido obtido consentimento informado dos participantes. Conclusões. O Ginásio do Cérebro revelou-se uma intervenção eficaz, de baixo custo e fácil implementação em lares de idosos, promovendo benefícios cognitivos, emocionais e sociais. Estes resultados sustentam a importância da integração de programas regulares de estimulação cognitiva em contextos residenciais, contribuindo para a autonomia funcional, a reserva cognitiva e a qualidade de vida dos idosos.
- O ser humano em envelhecimento: dimensões psicossociais e a sociologia do envelhecimentoPublication . Santos, Bruno; Ala, Sílvia Maria Fernandes; Galvão, Ana MariaO envelhecimento é um processo multifatorial e inevitável do ser humano, que envolve transformações biológicas, psicológicas e sociais, influenciando a forma como o indivíduo experiência a velhice. Objetivo: O estudo tem como objetivo geral analisar a inter-relação entre personalidade, resiliência e atitudes do indivíduo face ao envelhecimento, à luz da sociologia do envelhecimento, enfatizando como esses fatores contribuem para um processo de envelhecimento saudável e ativo. Método: O processo metodológico consiste em uma pesquisa de abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de uma revisão bibliográfica integrativa. As buscas foram realizadas entre fevereiro e junho de 2024, nas bases Scopus, Web of Science (Institute for Scientific Information – ISI) e SciELO. Os descritores “envelhecimento”, “personalidade”, “resiliência” e “atitudes em relação ao envelhecimento” foram selecionados por representarem a temática central e atenderem aos critérios de inclusão, compondo a amostra final analisada. Resultados: A análise evidenciou que determinados traços de personalidade, conforme o modelo dos Cinco Grandes (Big Five), influenciam significativamente a adaptação às mudanças associadas à idade. A conscienciosidade, caracterizada por organização, responsabilidade e empenho no cumprimento de tarefas, favorece comportamentos saudáveis e maior autonomia. A extroversão, associada à sociabilidade, assertividade e busca de interação, contribui para o bem-estar e a integração social. Em contrapartida, o neuroticismo, definido pela propensão a emoções negativas como ansiedade e insegurança, mostra-se um preditor de maior vulnerabilidade emocional e social. A resiliência destaca-se como um recurso essencial que permite enfrentar adversidades, preservar a autonomia e manter uma perceção positiva de controle perante as limitações impostas pela idade. Já as atitudes face ao envelhecimento refletem crenças e representações sociais que influenciam diretamente a saúde percebida e a qualidade de vida: atitudes positivas associam-se à integração comunitária, ao otimismo e ao bem-estar, enquanto atitudes negativas reforçam o isolamento, o estigma e o declínio funcional. Conclusão: O processo de envelhecimento não constitui uma experiência homogênea, mas resulta da interação dinâmica entre fatores pessoais, psicológicos e contextuais. Compreender essa interligação possibilita propor políticas públicas e intervenções psicossociais que valorizem a educação para o envelhecimento, o empoderamento do indivíduo e o fortalecimento das redes de apoio. Assim, promove-se uma longevidade acompanhada de dignidade, participação social e qualidade de vida.
