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- Associação entre hábitos alimentares e transtornos de ansiedade: revisão sistemática da literaturaPublication . Fernandes, Eliane; Santiago, Hernelsa; Pereira, Filomena; Pereira, Ana Maria Geraldes RodriguesOs transtornos de ansiedade constituem um dos principais desafios de saúde pública global, sendo responsáveis por elevada carga de incapacidade. A literatura tem demonstrado crescente interesse no papel dos hábitos alimentares como fatores modificáveis capazes de influenciar a fisiopatologia da ansiedade. Estudos sugerem que a alimentação pode modular processos inflamatórios, oxidativos e neuroendócrinos envolvidos na expressão dos sintomas ansiosos (Aucoin et al, 2021; Lassale et al., 2019). Objetivos: Analisar a associação entre hábitos alimentares e transtornos de ansiedade. Metodologia: Realizouse uma revisão sistemática da literatura segundo as diretrizes PRISMA, recorrendo às bases PubMed e Web of Science, abrangendo publicações entre 2013 e 2024. Foram incluídos artigos em inglês ou português, disponíveis em texto integral, que relacionassem hábitos alimentares e transtornos de ansiedade em adultos. Excluíramse estudos envolvendo outras patologias e artigos de opinião. Dos 733 artigos inicialmente identificados, 10 cumpriram os critérios de inclusão. A avaliação crítica da qualidade metodológica destes estudos foi realizada através de uma versão modificada do instrumento de Crombie (1996) (Steele et al., 2003), verificando-se que a maioria (6 artigos; 60%) apresentava qualidade moderada. Resultados: Quatro estudos (40%) demonstraram que maior adesão à dieta mediterrânea está associada a menor probabilidade de transtornos de ansiedade, evidenciando os efeitos protetor desta padrão alimentar, através da redução da inflamação sistémica e da melhoria da função mitocondrial. Outros quatro estudos (40%) verificaram que maior consumo de frutas e vegetais está significativamente associado a menor risco de sintomas ansiosos e depressivos, possivelmente devido ao aporte de antioxidantes, fibras prebióticas e compostos bioativos que modulam o eixo intestino cérebro (Lassale et al., 2019). Dois estudos (20%) identificaram ainda que padrões alimentares ricos em ácidos gordos ómega3 se associam a menor risco de ansiedade, reforçando o papel dos lípidos estruturais na integridade neuronal e na regulação da neurotransmissão. Conclusões: Os resultados indicam que padrões alimentares de elevada qualidade estão associados a menor probabilidade de sintomas ansiosos. Assim, a promoção de hábitos alimentares saudáveis surge como uma estratégia promissora e custoefetiva para melhorar a saúde mental, justificando a sua integração em políticas públicas e práticas clínicas multidisciplinares.
